

O evento contará com o apoio da FIBRIA, a Prefeitura de Nova Viçosa e Igreja católica.
Nas fotos: Maestro Eudes Oliveira Brito, Coordenadores das pastorais, Sebastião Junior ( violonista) e Marcio Camara, dirigente do grupo jovem.
A CB Projetos Sociais valoriza e reconhece o potencial pedagógico que a cultura tem no âmbito do fortalecimento da comunidade, do individuo e na construção dos múltiplos saberes, através de um trabalho intensivo de formação, articulação e sensibilização dos envolvidos. Visamos resgatar a cultura das comunidades locais, tendo como base as artes cênicas, a musica, a literatura e outras ferramentas de capacitação social, mobilizando todo o âmbito da comunidade, como suscitando neles o veio da sustentabilidade. Através do fortalecimento de valores, crenças e habilidades, os talentos naturais ou adquiridos, individual e coletivamente são revelados, e os participantes tornam-se gestores de si e da sua própria cultura, reverberando em qualidade de vida e responsabilidade social.


![]() | |
| Ciro no Musical FRANCISCO |
Após alguns meses de trabalho ministrando aulas de dança, canto
e interpretação, montei com eles o musical O
Auto de São Benedito, em honor ao santo negro e franciscano cultuado no
quilombo. Estreamos num velho galpão que é usado como sede da Associação Quilombola,
e, como disse no inicio que nada se alcança sem esforços, foram os esforços
dessa galera, apoiada pelos amigos, familiares, pela empresa patrocinadora
(Fíbria Celulose) que possibilitaram o sucesso que o grupo vem alcançando de
alguns meses para cá.
O coordenador de Sustentabilidade da Fibria que
acompanhou o grupo no Encontro, Eloi Catani Junior, também enfatizou a
alegria da empresa em contribuir para a melhoria da qualidade de vida da
comunidade de Helvécia. "Estamos felizes pelos frutos que colhemos no
processo de engajamento com a comunidade. Conseguimos gerar inclusão
social e melhoria da qualidade de vida das pessoas", realçou.
Como não poderia deixar de ser, Ciro Barcelos já esta a mil em Helvécia desdo dia 12 de Outubro, afinando e reensaiando com o grupo de teatro do Quilombo Helvécia, o espetáculo Auto de São Benedito, que teve sua estreia em Maio de 2009, só que agora para a apresentação especial do dia 24 de Outubro - domingo, durante o Encontro com as Culturas Identitárias, convite este feito pela promotora do evento a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, diz Ciro: "será uma honra e estamos unidos na melhor vibração artística possível, levando nosso recado de amor, alegria e paz. Espero que esta apresentação reverbere no coração de todo o público presente e que a comunidade possa
experienciar o poder que o teatro e as artes tem em ser o grande veículo de valorização ao patrimônio cultural de Helvécia, incentivando e ampliando nos jovens seus limites, abrindo novos horizontes profissionais e pessoais." A Arte é uma necessidade,um apoio,um amparo. Precisamos de arte não somente como espetáculo, mas como ritual de embelezamento da vida, como estimulo social e cultural. O objetivo específico da tarefa da arte é o desenvolvimento humano e cultural e a cultura vai ser o resultado da expressão artística de uma comunidade. Uma das capacidades que diferenciam o ser humano dos outros animais é a capacidade de produção de cultura, e cultura é um conjunto de valores dos indivíduos de uma determinada sociedade que produzem arte como atividade e manifestação social. A arte não é só deleite, é o registro da nossa complexidade.
Em setembro de 2008, fui para Helvécia, distrito de Nova Viçosa, uma comunidade quilombola do sul da Bahia, levado por Paulo Coutinho, gerente de sustentabilidade da Aracruz Celulose. Fomos lá para fazer um primeiro contato com a comunidade com o intuito de avaliarmos a possibilidade de realizar ali um trabalho de desenvolvimento artístico e cultural envolvendo a população local.
Ao chegar lá, me deparei com a festa de Nossa Senhora da Piedade...
Depois da missa solene na igreja local, vieram os capoeiristas jogando a valer e o show de lambada na praça central repleta de barraquinhas festivas. No pouco tempo que lá fiquei, pude sentir o potencial artístico daquele povo escondido entre as plantações de eucalipto.
Entre comidas e bebidas, ficamos lembrando da história daquele povo. No período de escravidão no Brasil, os negros que conseguiam escapar das fazendas se refugiavam com outros em igual situação em locais bem escondidos no meio das matas. Nestes locais formavam suas comunidades que eram conhecidas como quilombos. Lá, eles viviam de acordo com sua cultura de origem africana, plantando e produzindo em conjunto. Os quilombos representaram uma das formas de resistência e combate à escravidão. Rejeitando a cruel forma de vida, os negros buscavam a liberdade e uma vida com dignidade, resgatando a cultura e a forma de viver que deixaram na África e contribuindo para a formação da cultura afro-brasileira.
Seis meses depois, em 17 de março, retornei a Helvécia.
Dona Tidinha, Dona Faustina, Sr Dudu, Roseli, Dona Elzira, Sr Valmir e outras tantas personalidades daquele vilarejo, me encantaram com seus sorrisos, franqueza e consciência do que são e representam enquanto gestores de cultura local. Os jovens, sedentos de aprender o que ainda não sabem para melhor expressar seus talentos, me acolheram com expectativa e curiosidade.
Compreendi que Helvécia seria para mim, não apenas mais um trabalho profissional, porem a extensão de um ideal humanitário e espiritual que vem sendo a fonte inspiradora da minha arte e consequentemente da minha vida.
São Francisco de Assis me escolheu para contar sua história para todo o Brasil e fazer dela uma obra social que não se limitou ao palco, se estendendendo as populações carentes.
Santo Antônio, enciumado, fez o mesmo!
São Benedito, o negrinho franciscano, nos escolheu a todos nós envolvidos nesse projeto, para contarmos a sua história em Helvécia.
E que a arte seja a voz do entendimento, da comunhão e da felicidade daquele povo.
Paz e bem!
Ciro Barcelos